domingo, 17 de janeiro de 2010

Licenciamento ambiental será mais rigoroso na região da Várzea do Tietê

Licenciamento ambiental será mais rigoroso na região da Várzea do Tietê
Resolução determina que fiscalização seja intensificada e Área de Proteção Ambiental (APA) ampliada

A Secretaria do Meio Ambiente, preocupada com a crescente impermeabilização do solo causada por obras e instalações na região da Várzea do Tietê, que contribuiu para que ocorressem inundações no período de chuvas, publicou na quarta-feira, 6, uma resolução que torna mais rigoroso os procedimento de licenciamento ambiental na área do rio Tietê.

O documento considera que os impactos ambientais causados por obras nessa região podem ultrapassar os limites territoriais dos municípios, tornando necessário um licenciamento mais rigoroso que leve em conta todo o entorno. Por isso, a partir de agora o licenciamento nestas áreas deverá passar pelos órgãos estaduais competentes, no caso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Antes, as tarefas eram de responsabilidade das prefeituras municipais.

"O nosso foco agora é combater a impermeabilização. Várzea é como uma grande piscina natural e queremos garantir que esse piscinão exista", explicou o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano durante fiscalização na região da várzea na Grande São Paulo. O secretário ainda enfatizou que a resolução também visa aumentar o raio de proteção a Área de Proteção Ambiental (APA) da Várzea do Tietê, que passou a contar com uma área de segurança em seu entorno e que contará com uma fiscalização mais intensa."

A principal função da APA é proteger o corpo d'água", explica Marcelo Minelli, diretor de licenciamento e gestão ambiental da Cetesb. Ele ainda ressalta que a nova resolução não ampliou a área da APA, mas criou uma "camada" de segurança, onde passará a existir critérios especiais. A área com atenção especial se estende da barragem da Penha até o município de Itaquaquecetuba, já que este é o local de maior pressão ocupacional na região da Várzea do Tietê.

Irregularidades

Para dar início às ações previstas na Resolução, o secretario do Xico Graziano, junto a uma equipe da Polícia Militar Ambiental e técnicos da Cetesb e do DAEE, iniciou uma série de ações de fiscalização na região. Entre elas um aterramento da Várzea do Tietê, no município de Guarulhos, que ocorreu no terreno de uma empresa da região. Durante a fiscalização também se constatou o desaparecimento de um córrego próximo ao terreno, segundo mostra os mapas hídricos do DAEE.

O arquiteto da obra, Lúcio Gomes Machado, que respondeu pela empresa fiscalizada, argumentou que quando obteve o terreno já não havia o córrego no local e que o aterramento seria uma movimentação de terra para formar um piscinão que contenha a água da chuva. A empresa tem, agora, 30 dias para apresentar um parecer à Cetesb comprovando que agiu sem qualquer irregularidade. Se for, realmente, constatado dano ambiental, a Companhia Ambiental paulista e o DAEE poderão exigir que o problema seja desfeito ou que seja realizada uma compensação ambiental. Se as exigências não forem cumpridas, a empresa poderá ser multada e, até mesmo, interditada.

Já na capital paulista, no bairro da Vila Maria, os técnicos encontraram outra irregularidade. Um terreno às margens do rio Cabuçu de Cima utilizado para depósito ilegal de entulhos. Para Graziano esse tipo de atividade será um dos focos principais da Polícia Ambiental nas áreas próximas às várzeas do rio. "Os caminhões vêm jogar entulho durante a noite. Vamos acabar com isso e garantir que a várzea e o rio não sejam tomados por esses resíduos". A Polícia Ambiental tenta agora, junto à subprefeitura da Vila Maria, identificar o proprietário de terreno irregular, que foi interditado durante a ação de fiscalização.

Da Secretaria do Meio Ambiente (Governo do Estado de S. Paulo)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Muitas cidades de São Paulo não tratam o esgoto

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1181470-7823-MUITAS+CIDADES+DE+SAO+PAULO+NAO+TRATAM+O+ESGOTO,00.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Veja que causou o alagamento no Rio Tietê

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1172817-7823-VEJA+QUE+CAUSOU+O+ALAGAMENTO+NO+RIO+TIETE,00.html

domingo, 6 de dezembro de 2009

364 mil t de areia e lixo ''encolhem'' Tietê



364 mil t de areia e lixo ''encolhem'' Tietê
Levantamento inédito mostra como 70 grandes rios, córregos e galerias contribuem para assoreamento do rio
Eduardo Reina e Vitor Hugo Brandalise

Os 70 grandes rios, córregos e galerias que deságuam no Rio Tietê, junto com as 569 galerias pluviais e de drenagem, contêm juntos pelo menos 364,7 mil toneladas de areia e lixo acumulados nos leitos, que contribuem para o incessante assoreamento do principal rio que cruza a Região Metropolitana de São Paulo. E essa quantidade de detritos está apenas nas áreas próximas dos pontos de contato.Esse levantamento, inédito, é do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), órgão gestor dos recursos hídricos do Estado de São Paulo, cujos técnicos percorreram todos os pontos de água que chegam a 24,5 km do Tietê na capital, desde a Barragem da Penha até o Cebolão, na região de Osasco. O maior problema é encontrado no Rio Tamanduateí. Há muita sujeira também nos Córregos Guaió, Jacu e Baquirivu. É uma quantidade enorme de material que está obstruindo rios e galerias. Para se ter uma ideia desse volume, se as 364,7 mil toneladas fossem colocadas em caminhões caçambas simples, de 8 metros de comprimento, enfileirados em linha reta, ultrapassariam a cidade de Queluz, na divisa com o Rio, a 235 km da capital, e continuariam por mais 7 km.Inevitavelmente, quase toda essa sujeira e essa areia vão parar no Tietê, provocando enchentes e inundações. De acordo com o superintendente do Daee, Ubirajara Tannuri Felix, metade dessas 364,7 mil toneladas é de areia e o restante da chamada poluição difusa, que inclui desde garrafas plásticas jogadas no chão até bitucas de cigarro e lixo mais volumoso das ruas. "Vamos apresentar esse estudo para as prefeituras da Região Metropolitana neste mês. Precisamos de um trabalho conjunto para limpar rios e córregos. Trata-se da segunda etapa do Plano Diretor de Macrodrenagem do Alto Tietê, que completou dez anos em 2008", diz a secretária de Energia e Saneamento, Dilma Pena.AÇÃO INTEGRADAPara o geólogo José Eduardo Zaine, professor do Departamento de Geologia Aplicada da Unesp de Rio Claro, o desassoreamento, como medida isolada, não surtirá efeito. "Acredito ser fundamental não só uma ação integrada entre prefeituras, mas uma gestão integrada do problema por microbacias ou sub-bacias desde a foz com o Tietê até as cabeceiras dos pequenos córregos, não só nas áreas marginais. Seria um conjunto de medidas, desde ações mais simples - como programas com a comunidade, legislação e fiscalização mais rigorosa - até medidas complexas e caras - como obras ou intervenções nos canais -, mas tudo em conjunto. Um exemplo dessas medidas localizadas é o reúso de água de chuva em grandes telhados num primeiro momento e até em residências."A sujeira compromete o curso normal dos rios. Na enchente de 8 de setembro, na Ponte da Casa Verde, o Tietê registrou vazão de 735 m³/s, enquanto deveria ser de 1.044 m³/s, o que demonstra assoreamento. Anualmente, o Estado gasta cerca de R$ 27,2 milhões para retirar 400 mil m³ de sedimentos somente do Tietê, num trecho de 40 km. São quatro contratos que determinam retirada de 32 mil m³ por mês, para evitar enchentes.A face oculta das enchentes do Tietê e afluentes se torna pior se levados em conta os córregos que deságuam nesses afluentes, elevando ainda mais o volume da sujeira. Não há medição sobre eles. De acordo com a Prefeitura, a capital abriga três grande rios e 281 córregos, em 1.216 km. A alegação é de que cerca de 500 km desses corpos d"água já estão canalizados - 450 km fechados e 50 abertos. Até outubro, foram retirados 107,37 mil m³ de sujeira, com limpeza manual e mecanizada.Segundo especialistas, a principal causa desse assoreamento é a ocupação irregular de beiras de rios e córregos. Essa ocupação elimina a vegetação que protege a água, provoca erosão e sedimentação e entulha bacias. Cabe às prefeituras a fiscalização sobre a ocupação irregular dessas beiras de rios e o trabalho de desocupação, assim como a remoção, limpeza e manutenção dos córregos, além de cuidados com o sistema de microdrenagem (bocas de lobo, ramais e galerias). JULHOA Prefeitura de São Paulo informou que a primeira fase do Programa Córrego Limpo, concluída em março, atuou em 42 ribeirões e entregou 28 despoluídos, além de outros 14 com os principais trechos recuperados. A segunda fase do programa contempla outros 58 córregos, com estimativa de conclusão para julho de 2010.


O Estado de S. Paulo de 6 de dezembro de 2009